sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A volta da polêmica...

Eu nem ia falar da Bienal de Arte por aqui. A anterior já foi motivo de grandes discussões e eu nem achei tão ruim ela estar vazia, uma vez que o próprio espaço da Bienal - um prédio lindo projetado por Oscar Niemeyer - já é uma grande obra em si. E estar ali dentro podendo observar aquela arquitetura já é uma experiência bastante interessante.
Esse ano a Bienal já  iniciou com discussões novamente, começando com a obra do Nuno Ramos e aqueles urubus confiados. Coitados, não concordei com aquilo, acho que seria mais impactante pessoas nuas confinadas... hahaha! Tô brincando. Mas não gostei da ideia dos urubus, poderiam ser bonecos, sei lá. Sou voltada pro lado ecológico da vida! Rsrsrrs.
Esses dias descobri um site muito bacana, o Colherada Cultural, que aborda vários assuntos culturais. E encontrei uma matéria boa falando justamente da Bienal. Então, pedi liceça pras Colheres e estou aqui dividindo com vcs.

Bjs
Cintia
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29ª Bienal de Arte de São Paulo reverte o vazio da edição passada com reflexão entre a arte e política
Site: Colherada Cultural
Por Camila Martins (colaboradora)
24/09/10


Depois do vazio avassalador que tomou conta de um dos andares do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, em 2008, a 29ª Bienal de São Paulo promete recuperar o tempo perdido e a credibilidade da instituição que, afundada em dívidas, quase foi estatizada há cerca de dois anos, como afirmou o secretário da Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil. Trazendo à tona a relação entre arte e política, os curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias pretendem destacar o poder transformador da arte e afirmam que toda a arte é política quando nos ajuda a repensar o mundo. Em ano de eleição, tal reflexão é bem-vinda.

As mais de 800 obras de 159 artistas de todo mundo que compõe a exposição com o tema "Há sempre um copo de mar para um homem navegar" - fazendo alusão a um verso da obra "Invenção de Orfeu", do poeta Jorge Lima - carregam em suas dimensões todo o seu conteúdo e significado, cabendo ao interlocutor sua dose de interpretação. “A política como uma prática e como algo que se dá através do contato entre diferenças é fundamental na nossa vida e está muito desvalorizada pelos políticos. Pensando especialmente nos jovens, é preciso recuperar e contribuir para a valorização deste encontro”, explica Agnaldo Farias.

A Bienal abre sábado (25) para o público, e as obras poderão ser vistas até 21 de dezembro. O Colherada aproveitou a abertura para a imprensa para ver a exposição e comenta o que você deve encontrar por lá. Para quem quiser curtir esse programão cultural, aqui vai uma dica de ouro: para aguentar a maratona escolha seu sapato mais confortável e carregue aquele caderninho de anotações. Você terá muito chão e conteúdo pela frente!


DESTAQUES IMPERDÍVEIS

Fotos e vídeos compõem a maior parte da produção artística exposta na Bienal. Entre eles a reflexão do cineasta de Jean-Luc Godard sobre a arte como exceção e contraposição às normas culturais, feitas a partir de uma foto do conflito de Sarajevo.

Fazendo coro à discussão sobre o limiar entre cinema e artes visuais, o artista tailandês Apichatpong Weerasethakul, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2010, apresenta o vídeoarte "Phantoms of Nabua", uma investigação sobre luz e sombra.

Já a fotógrafa americana Nan Goldin, faz um recorte da sua obra na série "A Balada da Dependência Sexual", em que fotos de momentos pessoais e de pessoas próximas da artista, entre os anos de 1979 e 2004, fazem parte de um slideshow.


Em um país como o Brasil, onde herdeiros dos grandes artistas guardam suas obras no porão, dificultando que nossa própria história seja mais conhecida, a Bienal é uma boa oportunidade para ver de perto os trabalhos de Lígia Pape (a performance coletiva "Divisor", registrada em vídeo, e a foto "Língua Apunhalada") e Hélio Oiticica (a emblemática bandeira "Seja Marginal, Seja Herói" [imagem acima], além da reprodução da instalação "Nichos"), ambos do movimento concretista brasileiro.


POLÊMICAS

No século 16, o poeta português Gil Vicente causou polêmica ao mandar fidalgos e aristocratas para o inferno em sua farsa "O Alto da Barca do Inferno". Na Bienal, seu xará pernambucano abre nova polêmica ao apresentar uma série de oito desenhos chamada "Inimigos". Neles, o artista se autorretrata matando líderes políticos e religiosos, entre eles Lula, FHC e o Papa Bento XVI [já falei dele aqui no blog!]. As imagens chocaram antes mesmo da abertura oficial e o presidente da sessão paulista da OAB, Luiz Flávio Borges D'Urso, pediu a retirada da obra da exposição por acreditar que ela faz apologia a violência. Por sorte, a Bienal negou o pedido.



Nuno Ramos também promete atrair a ira dos ambientalistas e defensores dos animais, já que sua instalação "Bandeira Branca", localizada no espaço central do pavilhão, traz três urubus vivos sobrevoando um local delimitado por redes pretas. Enquanto isso, tocarão trechos da música de Max Nunes e Laércio Alves, Carcará" e "Boi da Cara Preta" é cantadas respectivamente por Arnaldo Antunes, Mariana Aydar e Dona Inah.

CONTRA O VAZIO

A 29ª Bienal de Arte de São Paulo vem pautada pela quantidade de conteúdo. A arquitetura planejada por Martha Bogé ocupa os espaços com vielas, corredores, clareiras e ângulos imprevistos. Além disso, seis espaços chamados de Terreiros foram construídos para prolongar as áreas de debate. Inspirados em praças, bares e pontos de encontro, eles foram elaborados por diferentes artistas que, até dezembro, vão abrigar palestras, exibir filmes e performances.

O local também funciona como área de descanso para os visitantes da Bienal. A principal proposta dos Terreiros é a de proporcionar o encontro entre os visitantes para que eles conversem sobre o que estão vendo e discutam sobre os trabalhos. Depois de tanta novidade, é só se agendar e mergulhas em um dos eventos mais bacanas da cidade nesse segundo semestre.



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"29º Bienal de São Paulo"
Quando: de 25 de setembro a 12 de dezembro de 2010. 

Onde: Pavilhão Ciccilli Matarazzo, Parque do Ibirapuera, São Paulo.
Quanto: grátis

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Giovana Damaceno disse...

Não acompanho o dia a dia das artes no Brasil, mas pude observar, pelas matérias que li a respeito da Bienal 2010, que os grandes astros da vez são os curadores. São verdadeiros queridinhos das artes plásticas sãopaulinas. Esse um dos principais motivos do sucesso deste ano.

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