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terça-feira, 25 de junho de 2013

Gaudí e seus 161 anos de história


Se Antoni Gaudí, arquiteto catalão, estivesse vivo completaria hoje 161 anos! Gaudí é um dos símbolos da cidade de Barcelona, local onde se educou e passou grande parte da vida. Aparece como um arquiteto de novas concepções plásticas ligado ao modernismo catalão.

Grande parte da obra de Gaudí é marcada pelas suas grandes paixões na vida: arquitetura, natureza e religião. Gaudí prestava atenção aos mais ínfimos detalhes de cada uma das suas obras, incorporando nelas uma série de ofícios que dominava: cerâmica, vitral, ferro forjado e marcenaria. Introduziu novas técnicas no tratamento de materiais, como o trencadís, que consiste em usar peças cerâmicas quebradas para compor superfícies.

Depois de vários anos sob influência do neogótico e de técnicas orientais, Gaudí tornou-se parte do movimento modernista catalão, que atingiu o seu apogeu durante o final do século XIX e início do século XX. O conjunto da sua obra transcende o próprio movimento, culminando num estilo orgânico único inspirado na natureza. Gaudi raramente desenhava projetos detalhados, preferindo a criação de maquetes e moldar os detalhes à medida que os concebia.

A obra de Gaudi é amplamente reconhecida internacionalmente e objeto de inúmeros estudos, sendo apreciada não só por arquitetos como pelo público em geral. A sua obra-prima, a inacabada Sagrada Família (foto abaixo), é um dos monumentos mais visitados de Espanha. Entre 1984 e 2005, sete das suas obras foram classificadas Património Mundial pela UNESCO. A devoção católica de Gaudi intensificou-se ao longo da sua vida e a sua obra é rica em imaginária religiosa, o que levou a que fosse proposta a sua beatificação.


Seus primeiros trabalhos possuem claras influências da arquitetura gótica (refletindo o revivalismo do século XIX) e da arquitetura catalã tradicional. Nos primeiros anos de sua carreira, Gaudí foi fortemente influenciado pelo arquiteto francês Eugene Viollet-le-Duc, responsável em seu país por promover o retorno às formas góticas da arquitetura. Com o tempo, passou a adotar uma linguagem escultórica bastante pessoal, projetando edifícios com formas fantásticas e estruturas complexas. Algumas de suas obras-primas, mais notavelmente o Templo Expiatório da Sagrada Família, possuem um poder quase alucinatório.



Gaudí trabalhou essencialmente em Barcelona, a sua terra natal, onde estudou arquitetura. Originário de uma família não muito abastada, Gaudí tendeu para a procura do luxo durante a juventude; no entanto na idade adulta e no final da vida, essa sua tendência diluiu-se por completo.

Morreu aos 72 anos, vítima de atropelamento. Encontra-se sepultado no Templo Expiatório da Sagrada Família, Barcelona, na Espanha.

Exemplo de Trocadís, a arte de combinar pedaços cerâmicos partidos.


Parque Guell, em Barcelona.


O Doodle de hoje homenageia esse grande artista:



Fonte: Wikipédia
Fotos: Wikipédia e Google

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tomie Ohtake - Correspondências

Uma das grandes artistas no cenário artístico e cultural brasileiro completa 100 anos em novembro com exposições.
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Tomie Ohtake relembra sua trajetória e celebra seu centenário com exposição em São Paulo
Uma das maiores pintoras do Brasil, ela iniciou a carreira aos 40 anos após ter criado cinco filhos
Em: 03/02/2013
Por: Audrey Furlaneto para O Globo / Cultura



SÃO PAULO - Desde que trocou o Japão pelo Brasil, Tomie Ohtake nunca aprendeu a pronunciar a letra “l”. Há 77 anos no país e consagrada como uma das maiores pintoras brasileiras, para ela, galeria ainda é “gareria” e tela vira “tera”. Às vésperas de iniciar as celebrações de seus 100 anos (dia 21 de novembro), ela ri do próprio sotaque:

— Nunca “aprendeu” a falar português. Agora não “aprende” mais, né?

Mas Tomie fala com parcimônia. Como sua obra, ela é rigorosa, suave e de poucos elementos. Se um poema haikai trata do mundo em 17 sílabas, afirma, por que ela deveria usar mais?

Sua carreira, que se iniciou aos 40 anos (só após ter criado os filhos), começa a ser revista a partir desta semana. Abrindo os festejos do centenário, o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, inaugura na quarta-feira a primeira de uma série de mostras que serão dedicadas à artista até novembro. “Tomie Ohtake - Correspondências” relaciona suas obras com as de Mira Schendel, Cildo Meireles e Nuno Ramos, entre outros. E, no dia 23, a galeria Nara Roesler, também em São Paulo, exibe telas recentes da artista, de 2012 e 2013.

— Agora só se fala em centenário — ela diz, sorrindo. — É engraçado. Nunca senti os anos...

À cabeceira de uma mesa de concreto na casa modernista que o filho Ruy Ohtake projetou há 44 anos no bairro Campo Belo, em São Paulo, a artista recebe O GLOBO com um almoço à brasileira, servido em louças de delicada cerâmica (presente e obra de sua melhor amiga, a ceramista Kimi Nii), com talheres do designer finlandês Arne Jacobsen que, vaidosa, Tomie conta ter ganhado do filho Ruy nos anos 1970. À mesa, estão arroz, purê de batata-baroa, carne de panela com legumes - E tem saladinha, né? - diz.

Quando se trata de Tomie, os críticos de arte dizem que vida e obra estão “amalgamados”. A casa, de fato, parece o centro de tudo. Lá está seu ateliê, onde ela mandou instalar uma cama, de solteiro, ao lado das telas — “assim, já fica olhando quando acorda”.

E a sala de jantar não é só um ambiente a mais. Para Tomie, o “dia mais contente” é domingo, quando a mesa fica cheia. Há 30 anos, ela espera à cabeceira pela chegada dos filhos — Ruy, 75 anos, e Ricardo, 70, diretor do Instituto Tomie Ohtake — da nora Marcy (casada com Ricardo e também sua assessora de imprensa) e dos dois netos, Rodrigo, 28 anos, e Elisa, 32.

Durante a semana, Tomie almoça sozinha, sempre às 13h. Tem a disciplina dos orientais. Acorda às 8h, toma banho, aplica um creme antirrugas e senta-se, às 9h, para o café. Três vezes na semana vai ao ateliê, onde um assistente a aguarda. Às terças e quintas, faz fisioterapia e, uma vez por semana, recebe a cabeleireira do bairro, que mantém seu corte rigorosamente na altura do queixo e os fios pintados de preto. Também costuma vestir-se de preto. Guarda as cores para as telas.

Quando desembarcou do navio que a trouxe, após 40 dias de viagem, de Kioto para São Paulo, a primeira sensação que teve foi relacionada a uma cor.

— Brasil tem sol muito claro. Quando saí do navio, olhei para o céu e senti cheiro de amarelo. Ali, gostei do Brasil.


Tomie chegou ao Brasil Nakakubo, sem o sobrenome Ohtake. Veio acompanhada do irmão em 1936. Algum tempo depois, estourou a Guerra do Pacífico, e o irmão voltou. Morreu lutando. Mas Tomie tinha outro irmão em São Paulo, que mantinha um laboratório em sociedade com Oshio Ohtake, “esse moço muito boa pessoa e muito bonito”, diz ela, sorridente.

Em um mês no país, aos 23 anos, ela se casou com Oshio.

— Minha mãe pediu uma fotografia do casamento. Não acreditava! Tive que botar vestido para a foto — diverte-se.

Um ano depois do casamento, nasceu Ruy. A família Ohtake, então, mudou-se para o Rio, onde Tomie desfrutou do mar, de que tanto gosta:

— Pegava a barca e ia nadar em Niterói, porque a praia era muito bonita!

Recém-casada, a jovem Tomie se fez a pergunta: “Família é mais importante que trabalho?”. Já tinha apreço pela pintura e, no Japão, comprava catálogos e desenhava. Mas a decisão de priorizar a família a manteve distante dos pincéis até os 40 anos, quando encontrou o artista Keisuke Sugano. Ele dava aulas a Tomie e outros japoneses. Pedia aos alunos que pintassem uma flor, por exemplo. Ao fim, criticava as pinturas. A de Tomie, no primeiro dia, foi eleita a melhor. Começava ali uma carreira que nasceu figurativa e tornou-se abstrata. Dez meses depois, ela já exibia telas no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Em 1951, com o filho Ricardo já nascido, voltou ao Japão. Sentia saudade da mãe, Kimi. Passaram o dia conversando e, entre um diálogo e outro, conta, a mãe suspirou e morreu.

— Meu irmão colocou a mão no pulso dela e disse: “Ih, parou!”. Às vezes tenho saudade, mas já estou acostumada. A única coisa que pode me deixar muito triste hoje é a morte de um filho. Se um filho morre antes de mim, eu morro.

Depois da pintura abstrata dos anos 60, Tomie se aventurou pelas gravuras nos anos 70. Em 1977, ficou viúva de Oshio Ohtake e não voltou a se casar. Na década seguinte, sua obra foi marcada por cores contrastantes e intensas, talvez inspirada em Mark Rothko, seu pintor preferido. Foi também nos anos 1980 que floresceu sua produção de esculturas, muitas delas públicas, como a “Estrela-do-mar” (1985), instalada na Lagoa, no Rio, que gerou polêmica, foi removida para manutenção em 1990 e nunca voltou. [Procurei essa imagem no Google e no site T.O. Inst. e não encontrei!]


Na casa onde vive, fez o paisagismo com mudas que ganhou de Burle Marx. Ao lado das plantas e da piscina, estão esculturas suas. Todos os dias, ela alimenta os pássaros no jardim, vizinho a seu ateliê.

Antes de passar por uma cirurgia na coluna aos 93 anos, Tomie era assídua de exposições. No ano passado, teve pneumonia, caiu doente e “a perna ficou muito fraquinha, né?”. Passou a usar cadeira de rodas e não vai mais a vernissages. Mas lê quase todos os (muitos) catálogos que recebe. Leitura é sua distração. Não gosta de cinema ou TV, porém não dispensa jornais, incluindo o “São Paulo Shimbun”, em japonês.

Sobre arte contemporânea, não se sente muito tocada pelo que vê. Gosta de Regina Silveira, Tunga e Adriana Varejão. Arte, diz, é para ser sentida.



O curador Paulo Herkenhoff costuma dizer que “não há pintura brasileira sem Tomie Ohtake”. Para o crítico Frederico Morais, ela soube equilibrar a tradição japonesa e a vivência no Brasil. Tomie criou algo muito particular entre os artistas nipo-brasileiros, afirma ele, ao combinar o informalismo dos anos 1950 com o “desejo de organizar” o informal.

— A arte de Tomie nunca foi muito expansiva, excessivamente lírica. É contida, nipônica. A pintura dela é como ela mesma: de poucas palavras.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

172 anos de Rodin

Auguste Rodin, escultor francês que completaria 172 anos hoje, é homenageado pelo Google com um logotipo especial em sua página inicial nesta segunda-feira. O doodle destaca uma das obras mais importantes do artista, a escultura O Pensador, que retrata um homem em meditação.

Auguste Rodin nasce em Paris em 1840 e é considerado o pai da escultura moderna. Filho de uma família da classe operária parisiense, Rodin é aceito na Escola de Artes Decorativas e posteriormente na Academia de Belas-Artes. Entre suas obras mais célebres estão "O Beijo" e "Porta do Inferno". O escultor morre em 1917, e seu corpo está sepultado em um museu em Meudon. No Brasil, podemos ver algumas de suas obras na Pinacoteca de São Paulo.

"O Beijo"


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"Porta do Inferno"
A exemplo do que tantas vezes acontece com grandes artistas, a primeira obra de Rodin, "O Homem de Nariz Quebrado" (1864), não é aceita no Salon de Paris. A justificativa do júri foi que a obra era um esboço, algo inacabado. Paradoxalmente, toda a criação do escultor se basearia no conceito de "non finito". No ano de 1875, Rodin conhece Meunier e realiza uma viagem à Itália, de importância fundamental para sua futura estatuária. Lá se interessa principalmente pela obra de Michelangelo, mais precisamente pela escultura "O Prisioneiro", que o mestre deixou inacabada, influência esta que o liberta do academicismo. Na sua volta, o escultor visita e estuda as catedrais góticas. Em pouco tempo cria seu famoso "São João Batista Pregando" (1878).

"São João Batista Pregando"
Na contemplação de fragmentos de esculturas clássicas, Rodin compreende até que ponto uma parte da obra era capaz de representar o todo dela. Assim, começa fazendo obras cerceadas, por assim dizer, algo que ninguém jamais havia tentado. Exemplo disso são "O Homem que Caminha" e "Torso". No entanto, esses fragmentos de obras não são produto de um capricho artístico. Na obra "A Mão de Deus", há uma ambivalência de significados: a mão divina é na realidade a de um escultor em plena atividade. E é exatamente o que Rodin tenta plasmar ao longo de toda a sua obra: o momento da criação. Por esse motivo que ele pode ser considerado um verdadeiro impressionista.

"O Pensador"
Suas obras mais célebres, "O Beijo", que faz parte de uma série de esculturas realizadas para a Porta do Inferno, do Museu de Artes Decorativas, "O Pensador", da mesma série, e o "Retrato de Balzac" confirmam isso. Tem hoje um museu em Paris dedicado as suas obras e vida (o Musée Rodin), situado no Hôtel Biron, ao lado do Hôtel des Invalides, túmulo de Napoleão.

Detalhe da assinatura de Rodin em uma obra na Pinacoteca de SP

"Denaide"
Rodin teve como assistente a escultora Camille Claudel, com quem teve um romance e cujos trabalhos são muitas vezes confundidos com os de Rodin. Camille acreditava que Rodin queria se apropriar dos seus trabalhos. À época, foi considerada insana e terminou seus dias internada em um manicômio.

Rodin conquistou fama em vida, e suas obras chegaram a ser as mais apreciadas no mercado de arte europeu e americano. Hoje em dia encontram-se nos museus mais importantes do mundo.

Pátio com algumas esculturas de Rodin na Pinacoteca de SP

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Lápis de cor e linha de costura


Delicadas e misteriosas. Essas são as esculturas da artista plástica sul-africana Jenifer Maestre, feitas com lápis de cor costurados.
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Construções em Lápis de Jennifer Maestre
Por: Diana Guerra
Em: Obvious / Arte

Ao admirar a obra do biólogo Ernst Haeckel (1834-1919), Jennifer Maestre aprendeu que as possibilidades que a natureza oferece à arte não se esgotam. Pegando na forma do ouriço-do-mar, a artista sul-africana desenvolveu esculturas orgânicas feitas de lápis-de-cor e fio de costura.

Quando se olha de relance para uma escultura de Jennifer Maestre, parece que vemos um ser vivo marinho longe do seu habitat natural: o fundo escuro sobre o qual as suas peças são fotografadas, ajuda à ilusão de ótica. Coloridas e de aspecto orgânico, as peças de Maestre são, afinal, compostas por lápis de cor afiados e entrelaçados uns nos outros.
Na verdade, a ideia que inspirou o conceito deste projeto veio precisamente das profundezas oceânicas. Quando terminava a faculdade, ocorreu-lhe a ideia de criar uma caixa com um compartimento secreto para uma pérola. A caixa teria a forma de um ouriço-do-mar feito de prata. O objeto suscitaria emoções contraditórias no espectador: seria belo, sem que houvesse o desejo de tocar-lhe.
Apesar desta ideia nunca ter sido desenvolvida, Maestre centrou-se na ideia do ouriço e começou a utilizar pregos como espinhos, adicionando vários elementos aleatórios às suas esculturas, como o zíper. Num dado momento, ela percebeu que o prego não era o melhor material para trabalhar, já que a ideia era criar formas mais complexas. Descobriu então os lápis afiados e desenvolveu técnicas de costura para uni-los um a um.


Hoje, Maestre utiliza centenas de lápis coloridos para produzir suas esculturas. Corta-os em pedaços de 2,5cm e perfura cada um, transformando-os numa espécie de contas. Depois, afia-os e cose-os (usando a técnica peyote) para dar forma à estrutura, criando objetos cada vez mais complexos que se assemelham a ouriços-do-mar. Quando o trabalho está terminado, as peças chegam a valer €6000.


Para a artista, os espinhos do ouriço são perigosos e belos. Repudiam o contato, mas sua textura atrai o toque. A antítese do desejo e repulsão (o push e o pull) é transposta do universo marinho para a arte através do lápis que é, paradoxalmente, macio e afiado. Um material que é manufacturado em grandes quantidades e com pouca originalidade, cria uma forma que nos lembra um ser vivo pertencente à natureza. O comum e anônimo reinventam-se e originam esculturas frágeis, mas temíveis e selvagens.


Jennifer Maestre nasceu em 1959 em Johannesburg, na África do Sul. Depois de viver em outros locais (Barcelona, Irã, Novo México), mudou-se para o Massachusetts, onde vive atualmente e onde se formou em artes, depois de ter estudado economia para agradar ao pai. A sua inspiração advém de animais, plantas, mitologia. Admira o biólogo Ernst Haeckel e o pintor francês Odilon Redon. Ao longo dos anos tem ganho vários prêmios, principalmente no estado onde vive - por exemplo, o prêmio Massachusetts Cultural Council em 2007.




terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Morre Antonie Tàpies

Uma perda imensa para o mundo das artes, mas deixando pra trás um legado inestimável!
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Morre aos 88 anos o artista espanhol Antoni Tàpies
Em: 06/02/2012
Por: Folha Ilustrada

O pintor e escultor catalão Antoni Tàpies morreu segunda-feira, dia 06/02/12, aos 88 anos, em Barcelona, na Espanha. A informação é do jornal "El País".

Um dos principais representantes da arte abstrata do pós-guerra, o artista é nomeado marquês de Tàpies em 2010 por sua contribuição às artes plásticas. O artista possui uma fundação em sua cidade natal, Fundació Antonie Tàpies, onde expõe boa parte da evolução de sua obra.

Nasce em Barcelona, em 1923, em uma família burguesa e culta. Abandona os estudos de direito para se dedicar ao desenho e à pintura. Durante a Guerra Civil espanhola, trabalha no governo da Catalunha, onde seu pai era advogado.

A partir de 1948, o artista une-se à revista de vanguarda "Dau El Set", com outros artistas como Joan Brossa, Joan Ponç, Modest Cuixart, Joan Josep Tharrats, Arnau Puig e Juan Eduardo Cirlot.

Em 1956, quando consegue uma bolsa para estudar em Paris, faz sua primeira exposição individual na capital francesa e se relaciona com Picasso. Naquele mesmo ano, ganha um prêmio na 3ª Bienal de Hispanoamérica, e é apresentado a Salvador Dalí em Estocolmo, na Suécia - ali, expõe ao lado de Tharrats.

Entre suas obras destacam-se "Manchas Vermelhas", "Grande Pintura Pinzenta", "Corpo de Matéria e Manchas de Cor Laranja" e "Peça de Roupa".

Também realiza numerosas peças de cerâmicas, tapeçarias, esculturas e mosaicos, além do cartaz em homenagem ao centenário do time de futebol do Barcelona em 1999. O catalão ainda ilustra várias publicações e é autor de livros de arte.

Além do marquesado que o Rei Juan Carlos lhe concedeu em abril de 2010, Tàpies é reconhecido pela Academia de Belas Artes de Berlim e pela Kunstlerhaus de Viena, a fundação de arte mais antiga da Europa. Também recebe os prêmios da Unesco e o Príncipe de Astúrias das Artes.

Casado com Teresa Barba Fábregas, Tàpies era pai de três filhos, Antoni, Clara e Miquel.

Obra de 1978

"Sabata" - 1995


Fundação Antonie Tàpies em Barcelona

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Conhecendo Artistas | Fayga Ostrower


Pegando carona no lançamento da Folha em sua coleção Cadernos de Desenho, vou apresentar hoje uma das grandes artistas da arte contemporânea. Ela é polonesa, mas morou no Brasil desde seus 13 anos e desde então se enredou pelos caminhos das artes de maneira intensa e muito satisfatória.
Espero que gostem!
Bjs
Cintia
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Fayga Ostrower é artista homenageada em número da Coleção Cadernos de Desenho
Em: 09/10/2011
Folha / Ilustríssima


Morta há dez anos, Fayga Ostrower (1920-2001) ganha edição na Coleção Cadernos de Desenho, com organização de Lygia Eluf e textos de Carlos Martins e Noni Ostrower, filha da artista polonesa.

Fugindo do nazismo, sua família chegou ao Rio quando Fayga tinha 13 anos. Estudou artes gráficas na FGV e, mais tarde, lecionou em instituições brasileiras e estrangeiras.

O livro (Editora Unicamp/Imesp, 192 págs., R$ 50) reproduz esboços e anotações feitos a partir de 1954, lamentavelmente, sem informações mais detalhadas.

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6534, exata 1965 - Xilogravura sobre papel
Fayga Perla Ostrower foi gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, ceramista, escritora, teórica da arte, professora e grande ícone das artes visuais.

Vem para o Brasil em 1934. Cursa artes gráficas na Fundação Getúlio Vargas - FGV, em 1947, onde estuda xilogravura com Axl Leskoschek e gravura em metal com Carlos Oswald. Sua produção inicial em xilogravura apresenta temática predominantemente social.


No início dos anos 1950 passa a produzir obras abstratas. Entre 1954 e 1970, leciona no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Em 1955, viaja para Nova York como bolsista da Fulbright Comission. Trabalha no Brooklyn Museum Art School e estuda gravura no Atelier 17, de Stanley William Hayter.

Sem Título - xilogravura, 1967.
"Terra" - metal com papel, 1993.
"Transições" - aquarela sobre papel, 1994.

Em 1969, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro publica um álbum de gravuras realizadas entre 1954 e 1966. A partir da década de 1970, dedica-se também à aquarela. Publica vários livros sobre questões de arte e criação artística, entre eles "Criatividade e Processos de Criação", 1978, "Universos da Arte" (um de meus livros favoritos sobre o tema), 1983, "Acasos e Criação Artística", 1990, e "A Sensibilidade do Intelecto", 1998.

Em 1983, é realizada retrospectiva dos 40 anos de sua obra gráfica, no Museu Nacional de Belas Artes - MNBA e, em 1995, a exposição "Gravuras 1950-1995", no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, no Rio de Janeiro.

Em 1999, recebe o Grande Prêmio de Artes Plásticas do Ministério da Cultura e participa, com o texto "Arte sobre Papel: da gravura chinesa às imagens de computador", da publicação "A Cultura do Papel", pela Casa da Palavra e Fundação Eva Klabin, em São Paulo.

No ano seguinte, é lançado o  vídeo "Gravura e Gravadores", documentário dirigido por Olívio Tavares de Araújo, com depoimentos da artista e outros gravadores, produzido pelo Instituto Itaú Cultural. Em 2001 é lançado pela GMT Editora o livro "Fayga Ostrower", organizado por Carlos Martins.

Em 2002, é fundado o Instituto Fayga Ostrower (IFO) para criar, instalar e manter um museu destinado à exposição pública permanente da obra da artista, reunindo e conservando o acervo de obras de arte deixado, além de documentos, escritos, fotografias, filmes e objetos pertencentes à artista, com a finalidade de recuperar sua memória viva.


Fontes:
- Itaú Cultural
- IFO - Inst. Fayga Ostrower

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Conhecendo Artistas | Ivald Granato FIlho


Ivald Granato Filho nasce em 1949 na cidade de Campos (RJ) e atua como gravador, desenhista, pintor e artista multimídia. Sua carreira começa cedo, sob a influência do cubismo, originado em Paris e que tem como expoente o pintor Pablo Picasso. Conheci por acaso as obras desse grande talento nacional ao navegar nas páginas no site Itaú Cultural. Outra vez revi suas obras expostas no programa do Faustão (Telão do Domingão). E fazendo uma breve pesquisa na internet, reuni aqui algumas informações sobre a vida e a obra desse talento para ilustrar minha tag "Conhecendo Artistas".

No ano de 1966, Granato estuda pintura com Roberto Newman, fundador do Museu de Arte Moderna do Espírito Santo. No ano seguinte, entra para a Escola de Belas Artes da UFRJ. Mas, por motivos pessoais, abandona o curso e muda seu estilo de arte para algo mais político e rebelde, fato bem marcante em muitas de suas obras.


Na década de 70 e 80 apresentou diversas performances e intervenções recorrendo ao vídeo e à fotografia para documentá-las. Sua obra também é composta de telas e litografias e é autor de vários livros. Ainda em 1970, viaja pela América Latina para estudar cores.

Em São Paulo, para onde se muda em 1972, Ivald Granato expõe trabalhos de Mail Art em diversas galerias, entre elas, o Museu de Arte Brasileira e Art Nobile. No ano seguinte, ele abre sua própria galeria na mesma cidade. Por duas vezes (1979 e 1982) recebe da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA o prêmio melhor desenhista do ano.



No início da década de 1980, participa de eventos com a Banda Performática, do artista José Roberto Aguilar, que associa pintura, música, teatro e circo. 
A arte de Granato não é conhecida apenas no Brasil. Seus quadros, gravuras e desenhos foram contemplados por admiradores na Alemanha (Galeria Maeder e Exposição Frankfurt, em 1984), Estados Unidos (International Gallery de New York, em 1988) e Japão (Kramer Galeria de arte , em 1992).


Uma de suas frases marcantes explicou a diferença entre design e arte:

“O design estuda e desenvolve 
objetos com uma finalidade. 
Mas a diferenciação entre design
e arte é difícil de ser determinada. 
Os pintores talvez marquem bem 
essa distinção”.



Ivald Granato atualmente vive e trabalha em São Paulo. Acesse aqui o blog do artista, atualizado por ele mesmo e não deixe de dar uma olhada no site dele também!

Fonte e imagens: Itaú Cultural

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Conhecendo Artistas | Araquém Alcântara

Hoje eu trago pra cá um dos mais conhecidos e respeitados fotógrafos do Brasil, Araquém Alcântara.
Com 59 anos, Araquém nasceu na cidade de Florianópolis, SC. Mas foi em Santos, SP, para onde se mudou quando jovem, que o também jornalista começou sua carreira. Desde 1970, ele tem como um de seus cenários prediletos de trabalho a natureza brasileira.


Um dado muito curioso sobre o fotógrafo é o fato de ele ter documentado todos os parques nacionais do Brasil. O resultado desse trabalho todo nós podemos encontrar no livro “TerraBrasil”, produzido em 1997, e com 80 mil cópias vendidas. Atualmente, a obra está em sua décima primeira edição.


Fotografias de Araquém podem ser encontradas em diversos lugares do mundo como, por exemplo, no Museu do Café, no Japão, Centro Cultural Georges Pompidou, em Paris, Museu Britânico, em Londres, entre outros. Este último o chamou para produzir a capa do livro “Unknow Amazon”, uma exposição sobre etnografia da Amazônica.


Hoje, Alcântara é uma fonte de inspiração para os jovens fotógrafos. O seu currículo é invejável, com 42 livros sobre o assunto, 22 livros em co-autoria, três prêmios internacionais, 32 nacionais e 75 exposições individuais.





A primeira foto

No outro dia uma amiga, Marinilda, mostrava-lhe umas fotos bem comuns, de álbum de família, feitas por uma Yashica muito caseira. Ainda mexido por causa de um filme que assistiu na véspera (A Ilha Nua, de Kaneto Shindo - quase sem história mas com a força e a beleza da pura imagem, a foto como síntese do dizer) que o deixou em transe, tonto e abalroado, ele mal olhou as fotos. pediu a yashica emropestada, comprou três filmes preto e branco e à noite doi para um cabaré do porto onde costumava ouvir bandas de rock e, com sorte, a canja de algum famoso de passagem.
Lá estava ele, a câmara na mão, os dois filmes no bolso. nenhuma técnica na cabeça, nervoso como em toda primeira vez. Mesmo sem coragem para nada, obscuramente sabia que naquala Yashica, naqueles filmes, estava segurando uma vida. Saiu tarde, sem apertar o botão.
No ponto do ônibus, já amanhecia quando uma sas moças do cabaré passou e desafiou:

Quer fotografar, é? Quer fotografar? Pois então fotografa aqui. - levantou a saia e mostrou o sexo.

Foi sua primeira foto.



Depois disso, não parou mais. As palavras já não serviam, guaguejava nelas. O que interessava eram os livros de fotografias e imagens: Kurosawa, Bergman, Truffaut, Fellini, WElls e os grandes fotógrafos Cartier Bresson, Werner Bischoff, Ansel Adans, Ernest Haas.

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