segunda-feira, 16 de abril de 2012

Lápis de cor e linha de costura


Delicadas e misteriosas. Essas são as esculturas da artista plástica sul-africana Jenifer Maestre, feitas com lápis de cor costurados.
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Construções em Lápis de Jennifer Maestre
Por: Diana Guerra
Em: Obvious / Arte

Ao admirar a obra do biólogo Ernst Haeckel (1834-1919), Jennifer Maestre aprendeu que as possibilidades que a natureza oferece à arte não se esgotam. Pegando na forma do ouriço-do-mar, a artista sul-africana desenvolveu esculturas orgânicas feitas de lápis-de-cor e fio de costura.

Quando se olha de relance para uma escultura de Jennifer Maestre, parece que vemos um ser vivo marinho longe do seu habitat natural: o fundo escuro sobre o qual as suas peças são fotografadas, ajuda à ilusão de ótica. Coloridas e de aspecto orgânico, as peças de Maestre são, afinal, compostas por lápis de cor afiados e entrelaçados uns nos outros.
Na verdade, a ideia que inspirou o conceito deste projeto veio precisamente das profundezas oceânicas. Quando terminava a faculdade, ocorreu-lhe a ideia de criar uma caixa com um compartimento secreto para uma pérola. A caixa teria a forma de um ouriço-do-mar feito de prata. O objeto suscitaria emoções contraditórias no espectador: seria belo, sem que houvesse o desejo de tocar-lhe.
Apesar desta ideia nunca ter sido desenvolvida, Maestre centrou-se na ideia do ouriço e começou a utilizar pregos como espinhos, adicionando vários elementos aleatórios às suas esculturas, como o zíper. Num dado momento, ela percebeu que o prego não era o melhor material para trabalhar, já que a ideia era criar formas mais complexas. Descobriu então os lápis afiados e desenvolveu técnicas de costura para uni-los um a um.


Hoje, Maestre utiliza centenas de lápis coloridos para produzir suas esculturas. Corta-os em pedaços de 2,5cm e perfura cada um, transformando-os numa espécie de contas. Depois, afia-os e cose-os (usando a técnica peyote) para dar forma à estrutura, criando objetos cada vez mais complexos que se assemelham a ouriços-do-mar. Quando o trabalho está terminado, as peças chegam a valer €6000.


Para a artista, os espinhos do ouriço são perigosos e belos. Repudiam o contato, mas sua textura atrai o toque. A antítese do desejo e repulsão (o push e o pull) é transposta do universo marinho para a arte através do lápis que é, paradoxalmente, macio e afiado. Um material que é manufacturado em grandes quantidades e com pouca originalidade, cria uma forma que nos lembra um ser vivo pertencente à natureza. O comum e anônimo reinventam-se e originam esculturas frágeis, mas temíveis e selvagens.


Jennifer Maestre nasceu em 1959 em Johannesburg, na África do Sul. Depois de viver em outros locais (Barcelona, Irã, Novo México), mudou-se para o Massachusetts, onde vive atualmente e onde se formou em artes, depois de ter estudado economia para agradar ao pai. A sua inspiração advém de animais, plantas, mitologia. Admira o biólogo Ernst Haeckel e o pintor francês Odilon Redon. Ao longo dos anos tem ganho vários prêmios, principalmente no estado onde vive - por exemplo, o prêmio Massachusetts Cultural Council em 2007.




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Giovana Damaceno disse...

Que lindo! Adoraria ter uma peça toda colorida assim num canto charmoso da casa. Mas teria de ser uma casa, né?

cintia sibucs disse...

Parece que deve ser maleável, ne? Porque é costurado...
Adorei e achei incrível ela cortar cada pedaço, apontar e depois perfurar. Coisa de artista mesmo!

Cintia

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