quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Azulejos em Portugal

Recebi por email uma apresentação e compartilho por aqui para quem admira essa belissima arte que é a produção de azulejos multicoloridos e muito bem desenhados de Portugal.
Como a apresentação tinha mais imagens (lindas) que história, acabei fazendo uma pesquisa rápida pela internet para criar esse post. Espero que gostem!

Bjs
Cíntia
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A arte em toda sua dimensão é algo a ser reverenciado e, como tal, o povo lusitano o faz com a classe que lhe é peculiar. Um país rico culturalmente, tem na azulejaria um de seus exemplos mais clássicos. Uma simples peça, que em outros povos não é dada tanta importância, tem neste uma verdadeira catequese. Em quase toda extensão de Portugal, é consenso geral o uso desta peça de porcelana, divulgando sua história e sua arte, em todo canto onde seja visível.
Há cinco séculos que a azulejaria ocupa uma posição de destaque entre as artes decorativas portuguesas e, apesar de ter sofrido múltiplas influências ao longo de sua história, desenvolveu-se em Portugal características que merecem destaque como a riqueza cromática, a monumentalidade, o sentido cenográfico e a integração com a arquitetura.


Foi durante a ocupação árabe da Península que os povos ibéricos tiveram contato com a cerâmica mural. O termo "azulejo" deriva, aliás, de uma palavra árabe (al zulej) que significa pedra lisa e polida.
Até o fim do século XV, os artífices andaluzes produzem grandes placas de barro cobertas de vidrado colorido uniforme que, uma vez cozidas, corta-se em fragmentos geométricos que são recombinados em belos desenhos decorativos. Este processo, fica conhecido pelo nome de “alicatado”, porque envolve a utilização de um alicate.
A impossibilidade de exportar o produto já pronto constitue numa limitação importante e, talvez por isso, os exemplares existentes em Portugal sejam escassos. Os mais célebres são os do Palácio de Sintra (Capela e quarto onde esteve preso D. Afonso VI).


No final do século XVI surge uma transformação técnica que leva ao aparecimento do azulejo tal como o conhecemos hoje: uma placa de barro quadrangular com uma face vidrada lisa ou decorada com desenhos coloridos. Contudo, a separação das cores na superfície vidrada levanta problemas porque as substâncias utilizadas eram hidrosolúveis e misturavam-se tanto na fase de aplicação como durante o cozimento. Para evitar este contratempo utilizaram, como separador, uma barreira gordurosa feita com óleo de linhaça e manganês. A técnica fica conhecida como "corda seca" e associa-se quase sempre a uma elevação em "aresta" da superfície do barro, que funciona como barreira mecânica nas zonas de separação dos vidrados. A "aresta" ou "cuenca" só passa a ser utilizada isoladamente depois da introdução de uma outra inovação: a "fritagem" - que consiste no aquecimento dos vidrados a altas temperaturas antes de serem aplicados.


Nessa época, são importados em grande quantidade para Portugal e aplicados em igrejas e palácios. Alguns exemplares ficam célebres como os azulejos de "corda seca" representando a esfera armilar, encomendados por D. Manuel I e que ainda hoje revestem o Pátio das Carrancas, no Palácio de Sintra. Os desenhos dos azulejos hispano-árabes mantém a influência das decorações árabes e reproduzem as laçarias e os esquemas geométricos.
Ainda no final do sec XVI, surge outro avanço técnico decisivo: graças à utilização do esmalte estanífero branco e dos pigmentos metálicos, passa a ser possível pintar diretamente sobre o vidrado. Esta nova técnica conhecida pelo nome de "majólica" (provavelmente vinda da palavra Maiorca, porto de onde os azulejos eram importados) foi trazida para Portugal por Francisco Niculoso. Com ela, vem associada a estética Renascentista com a sua gramática decorativa própria e que evoluie, mais tarde, para o Maneirismo.




Quando Portugal cai sob o domínio dos Filipes, as dificuldades econômicas não permitem acesso fácil às tapeçarias, vitrais e mármores, assim são usados ao máximo os azulejos como material decorativo. Aí aparecem numerosos exemplares de composições geométricas que vão desde as combinações em xadrez até formas bastante complexas. Seguindo esse padrão, surge no sec XVII os "tapetes" formados pela repetição de padrões coloridos, justapostos e emoldurados por faixas, revestem de alto a baixo as paredes das igrejas e até mesmo o teto, produzindo efeitos decorativos surpreendentes.


Azulejaria no estilo oriental, monocromático.
 Ao final do sec XVII, muitas mudanças transformam a estética do azulejo e os navegadores Portugueses, ao chegarem do Oriente, trazem a estética de faiança azul e branca (famosa nas porcelanas chinesas). Rapidamente o estilo cai no gosto dos países do norte da Europa e se estende aos países meridionais. Assim, a policromia doa azulejos e substituída pelo monocromatismo e surgem os primeiros tapetes com essa temática.
Paralelamente a esse evento, se alastra na Europa a estética do Barroco, com encenações de teatralidade e vida, que afeta todas as formas de arte. Surge entao o "azulejo historiado" que mostram cenas emolduradas ricamente. Muitos palácios são revestidos com belos painpéis de azulejos com cenas de batalhas, caçadas ou cenas cotidianas.


Após esse período, a azulejaria portuguesa passa ainda por diversas modificações, voltando a ser policromático e passando por diferentes estilos. Muitos artistas se destacam com brilhantismo em seu estilo pessoal, como  Gabriel del Barco e António Oliveira Bernardes.
Com as invasões francesas, a Independência do Brasil e a guerra civil de 1832 muitas olarias são obrigadas a fechar as portas e deixam de responder à muitas encomendas.

Exemplo de tapete monocromático adornada com moldura.

Exemplo de "azulejo historiado" - na imagem porém, não aprecem as molduras.


Mais um exemplo de "azulejo historiado" dessa vez, ricamente emoldurado.
No sec XX os azulejos continuam a ser largamente utilizados como decoração e aparecem também em trabalhos artísticos, com muitos artistas de renome internacional.

Exemplo de azulejos nas paredes e no teto.


Padrão que surge no sec XVII com os "tapetes" formados pela repetição de padrões justapostos e emoldurados por faixas.


Na segunda metade do sec XX os azulejos passam a manifestar-se através de exemplares menos elaborados ou de caráter popular, como revestimentos de fechadas e interiores de casas, lojas, empresas. Muitos revestem fachadas da casa de emigrantes com registros, cartelas e painéis naturalistas desenhados pelos artífices que trabalham nas fábricas.
O azulejo é visto hoje em várias formas, cores e tamanhos. Mas continua a revelar sua vitalidade e reafirmar-se como uma das manifestações mais originais decorativas europeias até hoje.

Exemplo de azulejos modernos com estampas geométricas.

Museu do Azulejo, em Portugal, com obras de vários artistas.


Fonte:
Museu Nacional do Azulejo - Portugal

O Azulejo em Portugal
PPT criado por Dom Patrô e Shirley Lubaszewski

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Suziley disse...

Nossa Cíntia, que linda postagem e que linda arte dos azulejos portugueses!! Belíssimos!! Adorei!! Obrigada pela partilha querida amiga. Uma ótima semana, boa noite, beijos :)

Giovana Damaceno disse...

O que é a cultura, né? Aqui por estas bandas isso é considerado cafona. Vê se pode?

c i n t i a disse...

Oi Susy! Obrigada!

Bjs!

c i n t i a disse...

É verdade, Gi! Muita gente não gosta prncipalmente dos mais tradicionais, com aqueles desenhos rebuscados e cores fortes!
Eu adoro... rsrsr!

Bjs!

Miss Luca disse...

Oi, Cintia !
Adorei a postagem ... esse museu do azulejo em Portugal vale a pena mesmo, viu ... pelos azulejos e pelo lugar que é um antigo mosteiro ....
Eu amo azulejo, amo cerâmica, amo argila .... aprendi na faculdade.
Bjs
Lu

c i n t i a disse...

Eu tb amo Lu!

bjs!

A S disse...

Parabens pelo texto, apesar de na parte dos hispano-mouriscos ou hispano-arabes como preferir estar um pouco confuso de qualquer forma acho que resume muito bem a históriado azulejo. Se quiser dar uma espreitadela a réplicas de hispano-mouriscos entre outros visite o meu blog.

c i n t i a disse...

Vou visitar sim!
É muita informação tentei resumir ao máximo pegando as informações mais importantes, mas acaba ficando confuso mesmo, para quem conhece mais a fundo a história!
Obrigada!!!

c i n t i a disse...

Poxa AS, não consegui acessar seu blog pelo link.
Deixe o endereço aqui nos coments.

Valeu!

Anônimo disse...

Se gostei!!! Também estava pesquisando na net sobre o mesmo tema.Soube que em Lisboa logo após o "terramoto" de 1755 o Marquês de Pombal impulsionou as novas construções liberando azulejaria para fachadas e interiores - algo rápido e barato. Daí, um passeio por Lisboa é um show de azulejos pombalinos (padrão específico da época). Um abraço.ana

cintia sibucs disse...

Que interessante, Ana! Obrigada pelo seu comentário que só engrandeceu post.

Abçs e volte sempre!
Cintia

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