sábado, 17 de novembro de 2007

A Mutação da Obra de Arte

Me inspirei numa de minhas aula de Filosofia da Arte pra preparar esse novo post aqui pro blog. Na verdade, quando eu li esse texto dado pelo meu professor de Filosofia, o Marcos Fernando Silva - ou simplesmente Marquinhos como costumamos chamá-lo - eu comecei a entender porque tantas pessoas não conseguem assimilar com tanta facilidade a arte contemporânea ou a arte moderna em geral como o fazem com a arte mais antiga, dos séculos XV e XVI (final da Idade Média e início do Renascimento, mais ou menos).
No texto debatido em sala, o autor Gérard Lebrun trata da mutação da obra de arte não como a mudança ocorrida neste século, mas daquilo que se refere ao sentido da expressão "uma obra de arte". Essa mutação acontece devido às novas tecnologias que vão aparecendo em cada época como rádio, disco, fotografia, cinema, televisão. Isso influecia toda a sociedade de várias maneiras e uma delas é a forma de exergar a arte. Num trecho do texto, diz assim:
"As novas técnicas podem chegar a transformar a própria noção da arte. E todos os exemplos convergem para o declínio da aura da obra de arte."
O que podemos entender com isso? Que as pessoasm reconhecem uma obra de arte pelo fato de que nenhuma idéia que ela suscita em cada um é esgotada ou concluída. Não há lembrança, pensamento ou ação que possa anular esse efeito. A aura em questão, designa o fato de que a coisa acontece de maneira enigmática o suficiente para que nenhuma contemplação possa esgotar seu significado. Ufa!
Aí eu pergunto, porque o público de hoje está cada vez menos interessado e menos atento a esse inesgotável excedente de significado e, por isso mesmo, cada vez menos preocupado com a singularidade e a autenticidade da obra de arte?
Segundo Lebrun, é porque a humanidade está dividida em 3 eras:
  1. Veneração
  2. Beleza Pura
  3. Linguagem

A VENERAÇÃO acontece quando a arte não tem função de arte, ou seja, aqui a arte não tem função de ser observada como arte. Aqui, o ato é feito para celebrar e marcar momentos importantes da história. Fazer uma "cadeira" era a mesma coisa que fazer uma "estátua", por exemplo.
A imagem é de uma estátua grega. Nesse caso, só porque analisamos uma obra antiga não quer dizer que ela foi criada com finalidade artística e estética. Para os gregos as criações tem um uso. No caso dessa imagem, era uma estátua para simbolizar os jogos, mais nada. As estátuas dos deuses eram para ser veneradas e nada mais que isso. A Venereção nada mais é que uma adoração a um objeto, a sublimidade predomina.
Essa era encerra-se ao nascer da "estética" enquanto reflexão simbólica (inexistente até então).





Aí, vem a BELEZA PURA, que abre o séc. XVI, que é a grande revelação da parada! Essa é a idéia que as pessoas em geral tem da arte: que ela é bela e não é qualquer um que pode fazer. Assim surge a "estética", com Kant e Hegel. Aqui admira-se o belo e a habilidade: a obra faz o artista, quanto mais bela melhor, obra-prima. Surge o consumo pela estética, numa relação de prazer que mede o valor da obra. Quanto mais as pessoas ficarem encantadas e extasiadas, melhor.
Essa forma de ver a arte persiste ainda hoje, pois muitas pessoas vêem a arte como beleza apenas. Não gostam de obras contemporâneas e admiram aquilo que é bonito, que é perfeito, obras-primas de grandes mestres. Segundo Hegel, a tarefa de "bela aparência artística" é libertar-nos da aparência sensorial, impura e groseira. No quadro de um mestre holandês, por
exemplo, não é a exata reprodução que nos agrada mas sim a magia da cor e da iluminação que transfigura as pobres coisas do dia-a-dia e transformam cenas prosaicas de uma quermesse ou uma bebedeira, num domingo de vida, uma bela aparência que torna fascinante o que, na vida, nos deixa indiferentes.



O advento da fotografia, no séc. XIX, faz com que toda a arte se modifique. Aparece a terceira era: a LINGUAGEM. Aqui a principal questão é a comunicação, justamente o oposto da anterior, que era apenas a Beleza para ser admirada. Agora, o artista faz a obra pensando no expectador e em sua experiência sensorial.
Brecht dizia:
"desde que a obra de arte se torna mercadoria, essa noção (de obra de arte) já não se lhe pode mais ser aplicada; assim sendo, devemos, com prudência e precaução - mas sem receio - renunciar à noção de obra de arte, caso desejemos preservar sua função dentro da própria coisa com tal designada."

Bem, depois do advento da fotografia - uma verdadeira revolução na história da arte e valeria um post só para isso -
o Impressionismo começa a falar para o público e com o decorrer dos anos e estilos, isso fica cada vez mais forte. Todas as vertentes chegam ao abstrato e mais nada novo aparece. Aí, vem a Pop Art com Warhol e sua Lata de Sopa Campbells (feita em óleo sobre tela, foto) e retoma a beleza da forma. A Pop fala diretamente ao público. A partir daí o mundo da arte de desdobra em variados infinitos e consegue atingir expectadores apressados que vivem intensamente o séc. XXI.



>>> listening......... muse//can't take my eyes off of you

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edson disse...

Boa noite Sibucs.

Legal sua pré disposição em escrever, mas acho que ocorreu um erro de data aí.Creio que não seja no século XVIII - o que significa a partir de 1700. Acho que a contemplação surge já no final da Idade Média e início do Renascimento. Assim, ente o século XV e XVI.


Até,
Edson

cintia sibucs disse...

opa! engano devidamente corrigido!
obrigada, querido!

volte sempre
gostei da sua visita

cintia

Giovana Damaceno disse...

hhuumm...
a discussão aqui está com um nível altíssimo!
tô adorando isso

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