sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Rock in Rio

Essa edição do festival mais comentado de todos os tempos está dando o que falar. Desde a venda relâmpago de ingressos até a escala das atrações para os dias de rock. Rock? Bem... essa é a questão mais discutida.
Sou roqueira, não suporto axé, pagode, muito menos sertanejo. Meu pai e meus tios tinham uma banda na época da Jovem Guarda e cresci ouvindo esse som e tb com Beatles, Raul Seixas, Pink Floyd por aí vai. É uma evolução natural não querer axé no meu player, não é? Não fui acostumada com esse tipo de música. E meus primos tb seguem o mesmo caminho.
Nesse final de semana, nos reunimos para um almoço de domingo e começamos a comentar como seria o show do Metallica (que eu AMO e foi mesmo sen-sa-cio-nal) e as demais atrações do dia mais metal do festival. Aí, um dos meus primos, o mais afetado musicalmente posso dizer assim, começou a me metralhar perguntando se eu tinha conseguido assistir "a palhaçada do pop in rio". Bem, eu respirei fundo e disse que um festival desse tamanho não conseguiria sobreviver com toda aquela estrutura se não fosse o pop. Infelizmente!
Eu não gosto da Rhyanna nem da Katy Perry, mas assisti aos shows e adorei. Elton John tb arrasou com um piano impecável. Nisso, meu primo riu e insistiu que isso não é Rock in Rio! E eu emendei: "amore, se fossem apenas atrações de rock e heavy metal em todos os 7 dias, o público não seria nem de 50mil por dia! O primeiro dia trouxe 100 mil pessoas, vc tem noção desse número?! Vc tem noção da grana que rola pra isso acontecer?"
Realmente se não fosse o pop que muita gente (inclusive eu!!) torce o nariz, um evento desse porte e que cresce mais a cada edição não se realizaria.
Ontem o Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, lançou em seu blog um texto falando a mesma coisa que eu tentava explicar para o meu primo, de uma forma bastante coerente e plausível.
Divido com vcs agora!
Bjs
Cintia

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Rock in Rio - eu vou criticar


Para começar , não faço media com ninguém. Nunca precisei fazer e se tivesse feito, talvez não enfrentasse tantos obstáculos para manter o que consegui na raça. Então, me dê licença que também quero falar.

Desde que começaram os primeiros boatos de que o Rock in Rio voltaria para o Brasil, antes mesmo de sonhar em tocar no evento, já comemorei! Estive em duas edições do Festival e tive o privilégio de assistir a shows memoráveis.

Quem mora no Rio de janeiro e gosta de Rock, sabe o quanto é complicado ter acesso a boas apresentações de artistas internacionais na cidade. O Rio, há tempos, saiu do circuito principal do segmento, tornando-se uma cidade que se dedica a exaltar em geral, apenas o que está em evidência.

Quem conhece a história do Rock in Rio, sabe que esta celebração nunca foi EXCLUSIVAMENTE dedicada ao Rock'n'Roll.  Em 1985, variados artistas participaram, desde Morais Moreira e Pepeu Gomes até Ivan Lins e James Taylor.

Em 91 mais uma vez, uma penca de artistas POP e de ritmos regionais tiveram o privilégio de desfrutar de grandes públicos no Maracanã. Aha, New Kids on The Block, George Michael, além dos Brasileiros Alceu Valença, Elba Ramalho, entre outros que não estão contextualizados no que se considera Rock n’Roll. O mesmo se repetiu na edição de 2001 e naturalmente no elenco do atual.

POR QUE?

Simples, minha gente.

Um festival desse tamanho no BRASIL, não é bancado apenas por atrações de Rock. Embora tenhamos muitos fãs fieis ao estilo, a grande maioria dos brasileiros não tem qualquer apego a utopia e a filosofia Rock que muitos de nós temos. Quem praticamente banca a vinda de artistas de rock consagrados no exterior com cachês milionários é o público que consome o Pop.

HEIN????????? Não entendi, Tico Santa Cruz.

O que quero dizer é que um festival da grandiosidade do Rock in Rio, não consegue reunir em 7 dias dedicados exclusivamente ao Rock, público suficiente para arcar com todos os custos do evento. Já viram a estrutura? Já pararam para pensar em quanto custa para levantar tudo aquilo, para trazer equipes, pagar os equipamentos, cachê dos artistas e tudo mais que esta relacionado a uma produção deste tamanho?

Estamos falando de investimentos milionários. Alguém vai entrar nessa para se arriscar a perder?

Há tempos que o Rock in Rio se tornou uma marca. É um dos mais importantes festivais do mundo e vai agregando valores a cada edição. Quem desdenha do fato de não haver só Roqueiros no Casting, ou é ingênuo ou é burro.

Se em países que tem o Rock como musica popular originalmente já não existe mais essa exclusividade, quem dirá no Brasil do Sertanejo Universitário, dos Axés, Pagodes e Sambas.  Estes sim, ritmos tradicionais do nosso território. Sendo assim, é preciso que se pense no Festival de forma equilibrada, tanto artisticamente como financeiramente.

Artisticamente, o Festival privilegiou como sempre fez, pelo menos 3 dias inteiros exclusivamente dedicados ao Rock. Tivemos Metallica, Motorhead, RHCP. Teremos ainda, Guns n’Roses, System of a Down entre outros nomes importantes. Se não conseguiram trazer ainda mais artistas que gostaríamos de assistir, foi por conta das agendas e das logísticas que bandas grandes detém. Nem sempre é Possível conciliar.

Quem banca praticamente estes 3 dias de Rock, é o público que gosta de POP. Pois são eles que acabam por esgotar rapidamente os primeiros ingressos, dos dias mais populares. Artista GRINGO nem aparece no Brasil se não estiver com o dinheiro em  sua conta bancária.

Particularmente, não achei ruim os shows que vi pela TV nos dias de Pop. Não conhecia praticamente nada e adorei a Katy Perry, por exemplo. Achei que mesmo deslocado, Elton John fez um baita show e sofreu apenas com a falta de educação dos mais jovens que estavam sedentos pela Rihanna. Então, entra a polêmica do AXÉ.

Por que Axé no Rock in Rio? E todo esse blá blá blá, com relação a apresentação de Cláudia Leitte, que fez um desabafo no seu Blog e gerou ainda mais polêmica.

É simples, atualmente o que a MASSA escuta é Cláudia Leitte, Ivete Sangalo, Luan Santana, Restart, Nxzero, e grupos que tem orientações voltadas para o público mais adolescente e com abordagens mais simples e acessíveis. É o que o Brasil consome, é o que lota micaretas, lota casas de shows e leva CONSUMIDORES aos lugares.

Não assisti o show da Cláudia Leitte, não gosto de axé, mas conheço a Claudia de Bastidores, assim como conheço a Ivete, e outros artistas de segmentos dos quais não suporto a música, mas isso não me faz crer que pelo FATOR COMERCIAL, eles não sejam importantes para os organizadores. São as estrelas do MOMENTO e um festival se baseia também, pelo que está em ALTA ATUALMENTE. Tanto é, que o público não só não vaiou a Claudia Leitte, como ainda pulou na corda do Caranguejo e bebeu a água Mineral do Carlinhos Brown que foi enxotado pelo público Brasileiro em 2001 e é um artista respeitadíssimo no exterior.

Também acho que o AXÉ, já tem espaço suficiente e não precisava estar no Rock in Rio, mas se está, podem acreditar que é exclusivamente por uma questão financeira e não pelo conceito. Se o público de massa gosta de axé, é o axé que eles vão querer assistir. O senso crítico musical da grande maioria é tão volúvel, que o objetivo maior é apenas se divertir e celebrar a oportunidade de participar de um evento que oferece centenas de outras atrações além da música.

Nós que gostamos de Rock é que vamos apenas pelo som. A maioria vai para entretenimento puro, beijar na boca, arrumar namorados e namoradas e sorrir, ficar bêbado e arrumar um monte de histórias legais para contar. Qual é o problema nisso?

Falo por mim mesmo, que é muito cômodo ficar pelas redes sociais malhando o evento e os artistas e brincar, como brinquei o tempo inteiro pelo twitter, do que buscar a história do Festival e o mecanismo que faz um gigante como esse conseguir andar.

Todos tem o direito da livre expressão, tanto os críticos, quanto os criticados, mas alimentar essa picuinha com esse discurso de que o Rock in Rio deveria se Chamar POP in Rio ou qualquer outra porcaria é desconhecer COMPLETAMENTE a história do FESTIVAL.

Jamais hei de comparar os artistas regionais de 85, com os da atualidades, pelo simples contexto GERAL, que envolve tal abordagem. O fato é que naquela época essas mesmas criticas foram feitas, e no fim lá estavam muitos que meteram o pau, se divertindo nas pistas do Evento.

Então, vamos ter um pouco mais de maturidade, se possível for, e incentivar que cada vez mais aconteçam eventos como esse. Porque é bom para todo mundo. É bom para a cidade que recebe, é bom para a economia, é bom para quem está trabalhando, para quem quer se divertir e para quem quer curtir os shows. Se o artista que está no palco não lhe agrada, você tem todo o direito de criticar e até de vaiar, mas tenha o bom senso de entender o porquê de certas escolhas. Numa hora dessas não é só o coração que determina quem estará em cima do palco. Existem muitas outras variáveis.

Dou graças a Deus do Rock in Rio ter voltado para cá. E no dia que fui, percebi que a produção esta IMPECÁVEL, digo isso por ser veterano dessa festa, tem 20 anos desde a primeira vez que tive a chance de pisar no solo do Festival.

Só fui no dia que me interessou, mesmo tendo passe livre para circular a vontade em qualquer outra data. E não estou aqui escrevendo isso só porque tive o PRIVILÉGIO de ser escalado para uma chance tão importante. Digo isso, porque gosto do Festival e porque torço para que outros aconteçam e possam tanto revelar novos artistas, como consagrar antigos e mais do que isso, proporcionar encontros inusitados propostos pelo Palco Sunset  e divertir aqueles que estão lá sem compromisso ideológico.

Fico constrangido quando vejo artistas e colegas falando mal do festival pelo simples exercício de falar mal, porque DUVIDO que recusariam o convite caso tivessem recebido.

Sem hipocrisia alguma, vivemos num mundo capitalistas e a virtude desse festival é exatamente conseguir equilibrar na medida do Possível, atrações meramente comerciais com atrações de conceito. Por trás das cortinas, existe muito mais do que apenas a grade de atrações que vocês recebem.

Bom festival para todos. Espero fazer um bom show e depois vou me esbaldar com System e Guns. Dia do Rock.

Abs
Tico Sta Cruz

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Giovana Damaceno disse...

Repensei muita coisa após ler este texto. Parei de rosnar... e olha que nem sou roqueira... rsrsrs

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